A integração de jovens talentos tem se mostrado um dos principais fatores que contribuem para a inovação e para o impacto na cultura corporativa. Cada vez mais, funções desafiadoras estão sendo assumidas por jovens que demonstram senso de responsabilidade, compreensão e uma visão estratégica capaz de resolver problemas complexos e decisivos.
Para provar que boa liderança não tem a ver com idade, mas com propósito, conversamos com Luisa Pereira, Strategy and Commercial Excellence Sr Manager no Brasil, sobre o papel transformador que a nova geração tem em suas mãos.

O que te motivou a assumir uma posição de liderança tão cedo na carreira?
“Entrei na Schneider em 2018 e, desde o início, tive a sorte de contar com grandes líderes que, assim que entrei como Trainee, começaram a identificar esse perfil de liderança que eu desejava […] e isso é super importante porque, desde o começo, deixei claro que era algo que eu queria vivenciar no futuro.
[…] Eu já pedia ao meu gestor para me incluir em algumas coisas; comecei a participar de reuniões, entrevistas para contratar estagiários na minha área, para entender quais perguntas ele fazia e como se posicionava ao tomar decisões de liderança. Estava mais presente. Então, eu meio que fazia shadowing daqueles que tinham o papel oficial de liderança.
Passei por outras áreas, cresci dentro da empresa como Trainee e percebi que alguns líderes não gostavam muito da parte de acompanhamento com seus liderados. Então vi uma oportunidade e comecei a perguntar: “Posso liderar um estagiário indiretamente? Posso acompanhar a carreira dele, falar sobre seus objetivos, para eu testar isso?” Acho que esse é o principal conselho: em vez de esperar por um cargo oficial de liderança, comece a ter essa conversa com seu líder — “Como posso mentorar um aprendiz ou estagiário e começar a aprender desde cedo?” Porque vamos cometer muitos erros pelo caminho.
Então, quando assumi meu primeiro cargo oficial de liderança, a empresa já me via como líder, porque eu tinha dado esse passo antes e mostrado meu interesse.”
Luisa também nos contou como foi importante para ela ter experiências de liderança não oficiais antes de entrar na Schneider Electric. Liderança tende a ser uma posição nova para essa geração, então tentativas de governança precoce podem ser eficazes para a trajetória de potenciais jovens líderes.
Quais desafios você enfrentou até agora como líder e como os superou?
“Acho que sempre haverá muitos — é um caminho um pouco solitário. Você precisa decidir dar esse primeiro passo sabendo que muita coisa vai mudar. Conheço muitos individual contributors, ótimos analistas, que têm dificuldade na transição para liderança. Porque liderança não é só sobre você ser bom — é sobre ajudar os outros a serem mais eficientes também.
Mas uma das coisas mais difíceis é liderar perfis muito diferentes. Liderar pessoas ótimas ou perfis semelhantes é fácil, mas quando você encontra alguém muito diferente, é aí que sua liderança é realmente testada. É preciso empatia para entender que alguém pode fazer as coisas de forma diferente de você — e isso não significa que seja melhor ou pior. Às vezes, não terão o mesmo perfil ou velocidade de raciocínio, mas você precisa aprender a trabalhar com públicos diferentes, o que ajuda ao longo da carreira.
Agora estou enfrentando um segundo desafio: liderar pessoas que lideram outras pessoas! Isso é super interessante. Quando você lidera alguém diretamente, faz um one-on-one e é rápido — você sabe o que ele precisa fazer. Mas quando você lidera alguém que lidera outros, não pode dar todas as respostas. É preciso deixá-los desenvolver seu próprio estilo de liderança sem interferir diretamente.“
Você teve algum mentor ou recebeu algum conselho que fez diferença na sua jornada?
Luisa: “Sim, tive mentores muito bons. Desde que entrei na empresa, entendi que isso seria um diferencial — identificar pessoas em diferentes funções que eu admirava e que poderiam me mentorar em diferentes momentos da carreira.
Mas acho que o principal conselho que recebi e que mudou minha forma de trabalhar foi: não desperdice energia com tudo. Tive um líder que disse: “Luisa, você dispersa demais sua energia — gasta muita energia escrevendo um e-mail ou fazendo um projeto.” Escolha o que é realmente importante: quais projetos são essenciais neste ano, quais habilidades você quer desenvolver, em quem você quer investir sua energia. Foque no que faz sentido. Caso contrário, tentamos fazer tudo e acabamos com pouca exposição aos grandes projetos que realmente fazem diferença. Esse é um conselho que tento passar para minha equipe, especialmente porque lidero um time jovem […] então um dos principais conselhos é escolher bem suas batalhas e entender as prioridades da empresa, do seu líder e dos seus pares — e focar sua energia nisso.“
Quais valores você considera essenciais para uma boa liderança?
Luisa: “Acho que liderança é um processo infinito de aprendizado. Sempre estaremos aprendendo e melhorando. Feedback de todos ao seu redor é importante. Mas acredito que a conexão que você constrói com sua equipe, a empatia para entender que eles também têm sonhos, é essencial. Pergunte à sua equipe: “O que você quer este ano? Qual é o seu grande sonho?” Porque as pessoas estão em momentos diferentes. Já tive membros da equipe que estavam se casando — esse era o grande sonho deles naquele ano, então eu precisava entender que talvez não estivessem tão dedicados a certas coisas.
Outros queriam trabalhar no exterior, então eu precisava ajudá-los com exposição em reuniões em inglês, cursos de idioma, etc. Outros queriam uma promoção, então eu precisava destacar seus resultados em fóruns específicos. É sobre identificar o momento de cada pessoa e ajudá-la a chegar lá com empatia. Nem todos estão no mesmo caminho ou cronograma. Eu tendo a pressionar muito minha equipe — “Vamos para o próximo passo!” — mas preciso entender que as pessoas aprendem em ritmos diferentes.”
Que tipo de legado você gostaria de deixar como líder?
“Eu realmente gosto de liderar equipes jovens porque adoro ver as pessoas crescerem e se desenvolverem. Atualmente tenho três jovens aprendizes na equipe, com 16 anos. Então, enquanto estou em uma reunião de liderança discutindo o plano de 3 anos de uma multinacional, também preciso conversar com meu aprendiz sobre qual faculdade ele quer fazer ou como está o ensino médio. Essa é a beleza — ver eles crescerem. Ainda não sou mãe, mas me sinto assim com minha equipe — acompanhando a jornada deles. Alguns entram muito crus, sem saber muito sobre a empresa ou sua carreira, e depois se desenvolvem.
Fico orgulhosa quando alguém participa da primeira reunião em inglês e entra em pânico — “Luisa, não consigo fazer essa apresentação sozinha!” — e anos depois está liderando projetos globais em inglês. Ver esse crescimento e saber que ajudei a impulsioná-los é a minha parte favorita. Claro, perdemos pessoas pelo caminho — alguns saem da empresa, alguns não são promovidos, alguns percebem que o mundo corporativo não é para eles. Mas se eu puder ajudar cada um a encontrar seu caminho, esse é o legado que quero deixar. Quando olho para os estagiários, analistas e aprendizes com quem trabalhei, essa é a parte mais gratificante!”
Qual conselho você daria para jovens que querem liderar?
“Acho que, se existe uma geração capaz de fazer as coisas de forma diferente, é a sua. A diferença que vejo nos líderes da nossa geração e nos mais jovens é enorme. Eles são mais empáticos, flexíveis e entendem os momentos da carreira. Conseguem resultados e impacto com suas equipes, mas também mantêm equilíbrio. Então vá em frente — teste!
Comece liderando projetos ou mentorando indiretamente. Talvez você não tenha alguém para liderar na sua área, mas pode mentorar um aprendiz de outra área.
Não espere pela oportunidade — crie-a. Converse com pessoas que já estão em cargos de liderança e pergunte como você pode começar hoje. Para quem já sabe que quer isso — comece! Para quem está em dúvida — experimente. Conheço pessoas que não queriam liderar e foram positivamente surpreendidas. Claro, todos têm aquele momento de “Não nasci para isso!” Mas depois você respira e volta — e às vezes encontra alegria em ver sua equipe crescer. Então vale a pena! Seja por projetos, comunidades ou programas de voluntariado, tenha suas primeiras experiências de liderança — erre, aprenda e aproveite a jornada!”
A entrevista com Luisa Pereira revela que a liderança jovem não é apenas possível — é necessária para construir culturas organizacionais mais humanas, estratégicas e adaptáveis.
Ao compartilhar sua trajetória, lições e desafios, Luisa mostra que liderar não exige esperar pelo “momento certo”, mas sim ter iniciativa e disposição para aprender continuamente. Sua experiência destaca que o verdadeiro diferencial está em assumir responsabilidades cedo, buscar mentores, valorizar a escuta e compreender o que motiva cada membro da equipe. Mais do que ocupar cargos, jovens líderes estão redefinindo o que significa liderar.
Para quem deseja seguir esse caminho, a mensagem é clara: comece de onde você está, com o que você tem, e não espere pela oportunidade perfeita — ela pode surgir da sua própria iniciativa.
About the author
Luisa Pereira, Strategy & Commercial Excellence Senior Manager
Luisa joined Schneider Electric in 2018 as a Trainee. With approximately 7 years at the company, she has built a career marked by continuous development and inspiring leadership.
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