
As regras de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade e ao clima estão evoluindo rapidamente nos principais mercados, gerando tanto incertezas quanto oportunidades para as empresas. No entanto, essas agendas já se consolidaram como uma base essencial para a resiliência e competitividade dos negócios.
Quarenta jurisdições, incluindo México, Chile, Austrália, Canadá e Reino Unido, já adotaram ou planejam adotar requisitos alinhados ou interoperáveis com a IFRS S1 e/ou IFRS S2.
Ao mesmo tempo, o Brasil, os Estados Unidos e a União Europeia recentemente revisaram regulamentações relacionadas à divulgação climática e de sustentabilidade:
Brasil
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Resolução CVM 244 em 29 de maio de 2026, modificando a Resolução CVM 193 e tornando o reporte de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, com base nos padrões IFRS S1 e S2 e CBPS 01 e 02, voluntário para companhias abertas.
O que mudou:
- Voluntariedade do reporte: o reporte de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, que seria obrigatório a partir de 2027 (exercício fiscal de 2026), se torna voluntário para companhias abertas;
- Modelo “Pratique ou Explique”: a alteração introduziu um modelo de “Pratique ou Explique”, onde as empresas que optarem por não apresentar um reporte deverão comunicar a decisão ao mercado;
- Compromisso mínimo de reporte: as organizações que se comprometerem a reportar deverão fazê-lo por um mínimo de três exercícios sociais consecutivos. Caso a empresa decida interromper a publicação após esse período, ela terá de notificar a escolha ao mercado.
O que se mantém:
As empresas de capital aberto que escolherem divulgar suas informações de forma voluntária ainda devem:
- Seguir as normas CBPS 01 e 02;
- Adotar asseguração razoável por auditoria independente.
Após pressão do governo e do mercado de capitais e financeiro, o novo presidente da CVM, Otto Lobo, disse estar aberto a reavaliar a norma.
Estados Unidos
A SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) propôs formalmente a revogação da regra de divulgação de riscos climáticos pelas empresas no mesmo dia em que a CVM 244 foi publicada no Brasil, enquanto a aplicação da Lei de Risco Financeiro Relacionado ao Clima da Califórnia (SB 261) foi suspensa em novembro de 2025.
União Europeia
A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) foi significativamente reformulada no âmbito da atualização Omnibus I de 2026. A revisão elevou os critérios de abrangência para empresas com mais de 1.000 funcionários e faturamento superior a 450 milhões de euros, reduzindo as obrigações de reporte para muitas empresas que ficaram abaixo dos critérios.
A Comissão Europeia também colocou em consulta pública (entre 6 de maio e 3 de junho de 2026) uma proposta de simplificação dos European Sustainability Reporting Standards (ESRS), os padrões que as empresas submetidas à CSRD devem seguir. Com objetivo de reduzir a carga administrativa e os custos associados ao reporte, a ESRS revisada deve manter a dupla materialidade como eixo central e a previsão é de que seja publicada ainda este ano.
Fatores que mantêm a agenda de riscos climáticos prioritária
As expectativas em relação aos riscos climáticos e à resiliência estão aumentando, e as empresas pioneiras já estão transformando isso em vantagem competitiva.
A questão já não é: quais requisitos regulatórios devo antecipar? Mas: como posso preparar a minha empresa para o futuro e agir de forma decisiva enquanto os concorrentes hesitam?
Existem motivos claros para empresas continuarem avaliando seus riscos climáticos:
1) Maior exposição a riscos climáticos físicos
Pelo quarto ano consecutivo, o Relatório Global de Riscos de 2026 do Fórum Econômico Mundial confirmou que os eventos climáticos extremos são os principais riscos de longo prazo para a economia global até 2036. As infraestruturas críticas enfrentam uma exposição cada vez maior a riscos climáticos crônicos e agudos, e as perdas econômicas decorrentes continuam a aumentar.
Os riscos físicos podem causar danos a ativos, interromper modelos de negócio, operações e cadeias de valor, além de impactar clientes. Em 2025, empresas relataram US$ 1,47 trilhão em riscos físicos ambientais. Mais de um quarto deles é esperado no curto prazo. Esses riscos incluem inundações, escassez de água, calor extremo e ciclones tropicais, entre outros, e representam ameaças imediatas aos ativos e às operações.
2) Riscos de transição global
As pressões da transição global continuam a remodelar as indústrias. O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da UE, por exemplo, entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, alterando a estrutura de custos das importações intensivas em carbono. Além disso, as expectativas dos investidores continuam se fortalecendo, à medida que coalizões que representam trilhões em ativos continuam a exigir reportes e ações alinhadas com o objetivo do Acordo de Paris de “limitar o aumento da temperatura média do planeta bem abaixo de 2 °C”.
Os riscos de transição representam uma ameaça aos modelos de negócios, portfólios de produtos, posição no mercado e custo de capital. A fragmentação regulatória, a precificação do carbono e mudanças nas preferências dos consumidores estão remodelando a concorrência em todos os setores. As organizações que não se adaptarem enfrentarão ativos desvalorizados, perda de participação no mercado e maiores custos de financiamento.
3) Acesso a capital e benefícios financeiros
Apesar de estarem expostas a ambos os tipos de risco, apenas 9% das empresas divulgaram investimentos em adaptação física no ano passado, de acordo com o CDP. Planos sólidos de transição climática também continuam sendo exceção. Isso reflete uma lacuna cada vez maior entre a conscientização e a ação, bem como um risco crescente para as empresas que adiam o investimento em resiliência. A falta de ação aumenta a vulnerabilidade e transmite aos investidores uma imagem despreparo.
As empresas que já tomaram medidas estão colhendo benefícios financeiros agora. As empresas classificadas no nível de “Liderança” pelo CDP (aquelas com as melhores pontuações em desempenho climático) geraram US$ 218 bilhões em oportunidades ambientais nos últimos 12 meses. O Fórum Econômico Mundial também estima que, para cada dólar investido em adaptação climática, resiliência e descarbonização, há uma economia de perdas que varia entre US$ 2 e US$ 19.
A resiliência não é custo, é investimento em vantagem estratégica.
Uma direção clara para o futuro em um ambiente regulatório em constante transformação
Apesar do ritmo acelerado das mudanças regulatórias, uma coisa permanece clara: a resiliência vai além da conformidade. É um ativo valioso e estratégico para se manter competitivo.
Agora é a hora de agir. Enquanto outras empresas aguardam maior clareza, você pode avançar, fortalecer sua posição e aproveitar os benefícios da resiliência climática a longo prazo.
A equipe de Risco Climático da SE Advisory Services, consultoria global da Schneider Electric, apoia empresas que desejam se preparar para o futuro e capturar valor à medida que as expectativas e os requisitos regulatórios sobre riscos climáticos e resiliência evoluem. Nossos especialistas oferecem suporte integral em riscos climáticos, desde a identificação e priorização de riscos e oportunidades até a realização de análises de cenários e a quantificação de impactos, passando pela avaliação da resiliência climática do seu modelo de negócios e pelo desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação, juntamente com um plano de transição climática personalizado para a sua empresa.
Se sua empresa está avaliando como avançar na agenda de riscos climáticos e resiliência, entre em contato conosco para explorar possíveis caminhos.
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