
Por: Stephanie Gibbon e Tiana Nguyen – SE Advisory Services, braço de consultoria da Schneider Electric
Publicado originalmente no ESG Today
Por que o CDP continua importante (muito além da nota)
É raro obter uma nota maior do que a esperada no CDP. Na maioria das vezes, as pontuações que as empresas recebem não são exatamente o que esperavam.
Entender sua pontuação no CDP não é só uma questão de conhecer o básico, como também de desvendar a história por trás da nota. Independentemente de sua pontuação ter atendido às suas expectativas ou de ter surpreendido, o verdadeiro valor está em como você a interpreta e a utiliza como alavanca, tanto para um progresso significativo quanto para gerar valor para o negócio.
Em meio a regulamentações e padrões climáticos em evolução, o CDP continua sendo uma das estruturas de divulgação mais reconhecidas por investidores, clientes e fornecedores. As divulgações ao CDP ajudam as empresas a:
- Demonstrarem responsabilidade e preparo em relação aos riscos e às oportunidades climáticas;
- Compararem-se com seus pares e identificarem lacunas na governança, estratégia e desempenho de sustentabilidade;
- Estabelecerem credibilidade junto às partes interessadas, que cada vez mais confiam em divulgações padronizadas para tomarem decisões de compras, due diligence e acesso ao capital.
Apesar das mudanças nas divulgações obrigatórias, o CDP segue como força consistente, promovendo transparência e ação.
Em outras palavras: o CDP recompensa as empresas que não apenas dizem o que pretendem fazer, como também mostram como estão fazendo.
O que pode ter dado errado se sua pontuação ficou abaixo do esperado
Se sua pontuação ficou abaixo do esperado, raramente se trata de um único problema. As armadilhas mais comuns incluem:
1) Tratar o CDP como um exercício de marketing, e não como uma ferramenta estratégica
Muitas empresas gastam tempo e dinheiro em divulgações e respostas elaboradas, sem promover mudanças estruturais que melhorem o desempenho.
Essa abordagem consome recursos valiosos, sem gerar ROI de sustentabilidade crítico, como resiliência da cadeia de suprimentos, redução de custos, mitigação de riscos e retenção de funcionários.
A metodologia de pontuação do CDP prioriza a governança, a integração da estratégia, as metas e as evidências de implementação – não apenas narrativas convincentes. Tratar o CDP como um exercício de marketing deixa pontos importantes de lado. Ou seja, as empresas não podem “escrever” seu caminho para a lista A, devem chegar lá por meio de ações e impactos mensuráveis.
2) Lacunas críticas de dados e riscos de qualidade
As questões de sustentabilidade não se limitam a uma única área da empresa. Pelo contrário, elas abrangem toda a organização, tornando a coleta de dados um grande obstáculo. Alguns problemas comuns com dados de sustentabilidade incluem inventários incompletos nos Escopo 1, 2 e 3, falta de garantia dos dados e processos manuais e temporários, que prejudicam a precisão e a auditabilidade. Sem dados sólidos, é difícil quantificar o progresso, planejar a alocação de capital ou divulgar o desempenho de forma confiável.
Nos critérios de pontuação do CDP, a divulgação de dados importantes costuma ser o ponto de partida para o ganho de pontos adicionais em questões qualitativas relacionadas. Dados incompletos, portanto, têm impactos que vão além da perda de pontos de divulgação, pois limitam a capacidade da empresa de obter uma pontuação mais alta em todo o questionário.
3) Governança fragmentada em questões de sustentabilidade
Dada a natureza abrangente das questões de sustentabilidade dentro de uma organização, é importante destacar que a supervisão adequada desses temas é fundamental para o sucesso e, além disso, está diretamente refletida na metodologia de pontuação do CDP. Por conseguinte, alguns aspectos comuns que prejudicam os programas de sustentabilidade — e, consequentemente, a nota no CDP — incluem:
- Baixo engajamento do conselho e da diretoria executiva na governança climática;
- Sustentabilidade não incluída nos riscos, na estratégia, nas finanças e operações da empresa;
- Ausência de um modelo RACI (responsável, aprovador, consultado, informado) claro ou de uma cadência operacional integrada entre as áreas.
A governança ajuda as empresas a pontuarem no CDP, porém o mais importante é que uma supervisão adequada possibilita melhores execução e impacto.
4) Metas de sustentabilidade sem roteiros confiáveis para a mudança
À medida que 2030 se aproxima, o CDP e estruturas similares esperam que as empresas demonstrem progresso real em direção às metas de redução de emissões. Na ausência de caminhos confiáveis para a transformação — como roteiros de descarbonização ou um plano abrangente de transição climática — as metas de sustentabilidade ficam no âmbito das aspirações, não das realizações.
As organizações precisam de um plano completo sobre como cumprir seus compromissos de sustentabilidade, detalhando as estruturas de governança, as estratégias financeiras e as mudanças operacionais necessárias para atingir as metas climáticas de longo prazo.
Metas indicam intenção, mas roteiros robustos e planos de transição comprovam capacidade de cumprir compromissos.
O caso de negócios para buscar a melhoria
Tratar o CDP como um mero exercício de documentação pode esgotar recursos, sem gerar retornos significativos. Quando ele é considerado como um catalisador para a estratégia e a execução, cria um valor comercial tangível.
- Pontuações altas podem gerar vantagem competitiva, já que muitos clientes usam dados do CDP para escolher fornecedores, protegendo e aumentando a receita.
- Melhorias operacionais, tais como projetos de eficiência energética, adoção de energias renováveis e otimização de processos, reduzem os custos e aumentam a resiliência diante da volatilidade do mercado. Dados verificados e planos de transição confiáveis aumentam o acesso ao capital, por meio de financiamento vinculado à sustentabilidade, e fortalecem a confiança dos investidores;
- Além dos benefícios financeiros, o progresso visível estimula a atração de talentos e reforça a reputação da marca, atendendo às expectativas dos funcionários em relação à transparência e à ação;
- Por fim, sistemas robustos alinhados ao CDP tornam a adaptação aos requisitos regulatórios mais rápida e econômica.
Diante de um cenário regulatório em rápida evolução, é fundamental superar o caos e se concentrar em obter progressos consistentes, que tragam benefícios reais. As empresas que tratam a sustentabilidade como um jogo de “bate-bola”, lidando com cada nova estrutura ou regulamentação de sustentabilidade à medida que elas surgem, terão dificuldade em acompanhar o ritmo e verão poucos benefícios comerciais. Em última análise, o retorno sobre o investimento em sustentabilidade depende de como uma empresa opera, e não de como a sustentabilidade é comercializada.
O que fazer agora para obter uma nota melhor em 2026
Receber uma pontuação inferior à esperada, portanto, sinaliza onde é necessário crescer e, além disso, cria uma oportunidade para elaborar um plano de melhoria direcionado, no qual a sustentabilidade é incorporada como estratégia central do negócio. Assim, as empresas que desejam avaliar seu desempenho no CDP 2025, identificar pontos fracos e, consequentemente, desenvolver um plano de melhoria para 2026 podem seguir quatro etapas simples:
- Compreenda a metodologia de pontuação do CDP: leia a metodologia de pontuação do CDP, que é disponibilizada publicamente no início de cada temporada de reporte. Reserve um tempo para se familiarizar com os quatro níveis de pontuação do CDP: Divulgação (D/D-), Conscientização (C/C-), Gestão (B/B-) e Liderança (A/A-). Entender esses níveis de pontuação e o que os distingue uns dos outros ajudará a orientar seus relatórios futuros;
- Faça uma análise das lacunas da sua divulgação: entenda onde foram perdidos pontos, para identificar tendências específicas ou áreas de crescimento em sua divulgação, que contribuíram para uma pontuação reduzida;
- Priorize ações em “ganhos rápidos”, soluções de médio prazo e iniciativas de longo prazo: os ganhos rápidos incluem preencher lacunas de divulgação, melhorar os controles de dados e iniciar o engajamento dos fornecedores. Os esforços de médio prazo envolvem definir metas baseadas na ciência, desenvolver planos de transição e automatizar processos de dados. As prioridades de longo prazo se concentram na execução de projetos de descarbonização com fornecedores, incorporando a sustentabilidade aos principais processos de negócios e no incentivo à liderança;
- Estabeleça um ritmo de melhoria contínua: revisões anuais de pontuação, grupos de trabalho multifuncionais trimestrais e KPIs, que vinculam a redução de emissões aos resultados financeiros, melhorarão o desempenho de sustentabilidade da sua empresa e a sua nota no CDP. Não se esqueça de aplicar a gestão de mudanças e treinamentos para manter o progresso.
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