Gestão de Energia

Petróleo: Há interesse por alta dos preços, mas nenhum país quer cortar produção, diz especialista

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Analista da Schneider Electric prevê cotações voltando para US$ 25 e US$ 30 por barril

SÃO PAULO – Os preços do petróleo caem mais de 5% nesta segunda-feira (1), com o mercado percebendo que a possibilidade de um corte coordenado na produção da commodity continua a enfrentar obstáculos significativos, de acordo com Robbie Fraser, analista da Schneider Electric.

“A queda de hoje parece ser impulsionada em grande parte pela percepção de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Rússia não serão capazes de chegar a um acordo sobre cortes de produção, pelo menos no curto prazo”, revela Fraser, em entrevista a O Financista.

O analista também destaca sua perspectiva pessimista para a semana: “Os preços se aproveitaram de uma forte alta na última semana, com comentários que não eram muito substanciais. Acredito que os ganhos da semana passada serão perdidos nestes próximos dias.”

Os dados econômicos da China também pressionam para baixo os preços do petróleo. “Enquanto a Opep e a Rússia são o grande ponto de interrogação em termos de oferta, a China é o ponto de interrogação fundamental em termos de procura”, diz Fraser.

Por volta de 16h10, em Londres, o barril de petróleo tipo Brent tinha queda de 5,14%, cotado em US$ 34,14. Em Nova York, o barril tipo WTI, com entrega para março, recuava 6,31%, a US$ 31,50.

Veja, a seguir, a entrevista na íntegra com o analista Robbie Fraser:

O Financista: Os preços estão caindo mais de 3% nesta segunda-feira. Quais são os principais fatores para esta queda?

Robbie Fraser: A queda de hoje parece ser impulsionada em grande parte pela percepção de que a Opep e a Rússia não serão capazes de chegar a um acordo sobre cortes de produção, pelo menos no curto prazo. O petróleo se aproveitou de alguns ganhos substanciais na última semana, alimentados com especulações relativas à Opep. Como tem sido o caso no passado, após um breve período de reflexão, o mercado parece ter percebido que um corte coordenado continua a enfrentar obstáculos significativos.

O Financista: Como os fracos dados econômicos da China pesaram no mercado nesta segunda?

Fraser: Os dados de manufatura da China também não ajudaram os preços hoje. Assim como os mercados globais mais amplos, o petróleo está especialmente preocupado com a desaceleração do crescimento chinês. Enquanto a Opep e a Rússia são o grande ponto de interrogação em termos de oferta, a China é o ponto de interrogação fundamental em termos de procura. Se o crescimento da demanda chinesa cai mais do que o esperado em 2016, será ainda mais difícil para o petróleo reverter o excesso de oferta em curso.

O Financista: Na sua opinião, até onde os preços podem cair? Já atingimos um fundo?

Fraser: Acredito que há sinais de que nós estamos nos aproximando de um fundo, mas ainda não o atingimos. Estimo que os preços voltem às mínimas que nós vimos em janeiro, entre US$ 25 e US$ 30 por barril.

O Financista: O senhor acredita que a Opep conseguirá alcançar um consenso em relação à produção? Qual é o papel do grupo diante da situação atual?

Fraser: Um consenso é possível, mas não vai acontecer em breve. A situação geopolítica neste momento apenas torna as coisas mais difíceis. Todos na Opep preferem preços mais altos, mas ninguém está particularmente interessado em cortar a produção. Enquanto o Irã permanecer focado em recuperar a produção perdida devido às sanções, a Arábia Saudita provavelmente não cortará, já que eles estariam essencialmente cedendo participação no mercado para seu rival regional. Se o corte for acontecer – seja no encontro de junho ou mais para frente – irá quase certamente exigir a participação da Rússia devido ao seu relacionamento com o Irã e seu crescente envolvimento no Oriente Médio.

O Financista: Qual é o cenário para os preços do petróleo nesta semana?

Fraser: Minha perspectiva para esta semana é pessimista. Os preços se aproveitaram de um forte alta na última semana com os comentários que não eram muito substanciais. Acredito que os ganhos da semana passada serão perdidos nestes próximos dias.


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