Arquitetura

Formação de preços de serviços: aprenda a calcular aqui!

Entender o processo de formação de preços de serviços é essencial para gerar bons resultados na atuação profissional. Afinal, é graças aos valores adequados que há o faturamento ideal e uma rentabilidade que atende aos objetivos.

Para facilitar o processo, a arquiteta Andrea Xavier compartilhou suas principais recomendações. Responsável por um escritório de arquitetura e pela CIA380º, uma plataforma de conteúdo técnico para arquitetos, a profissional tem muita experiência no assunto.

Na sequência, descubra como acertar na formação do valor a ser cobrado e consiga os melhores resultados.

Como definir o preço de venda de um serviço?

O primeiro passo para fazer o cálculo é selecionar o método adequado. No ramo de arquitetura e design de interiores, é comum encontrar profissionais que preferem realizar a cobrança de acordo com o tamanho do imóvel do projeto.

No entanto, escolher a precificação por metro quadrado não é o ideal, pois não considera todos os custos envolvidos nos procedimentos.

“Algumas pessoas cobram por metro quadrado, só que, às vezes, serviços com a mesma metragem têm complexidades diversas. Então, entendemos que seja errado cobrar um valor X por metro quadrado sendo que uma metragem em ambientes diferentes pode gerar tempo de trabalho distintos”, pondera a profissional.

Xavier ainda demonstra como a abordagem por metro quadrado pode ser prejudicial para todos os envolvidos. “Por exemplo: uma sala de 15 m² de um cliente pode gerar 30 horas de serviço, enquanto a mesma sala de 15 m² de outro talvez leve a 18 horas de serviço. Não é certo para o profissional, nem justo para o cliente, cobrar o mesmo valor”.

Em vez disso, portanto, o melhor é ficar de olho nas despesas e pensar em meios de precificar esses gastos para obter bons resultados.

Como mensurar os custos de um serviço?

Como é a partir dos gastos que ocorre a formação de preços de serviços, é fundamental saber levantar todos os números. Um dos jeitos de fazer isso é mapear os valores que são aplicáveis.

Além dos custos diretos e indiretos, como com aluguel e energia, não se esqueça de considerar o seu tempo. O preço é que garantirá a remuneração pelo seu trabalho, então é importante estabelecer um bom valor por hora trabalhada.

Se quiser aumentar a segurança na definição, faça um levantamento de tudo o que foi gasto nos últimos meses com a atividade, por exemplo. Fazer um fluxo de caixa pode ajudar a identificar quais são as principais fontes de custos e qual é a saída financeira média para executar as etapas.

Quais despesas devem ser consideradas para formação do preço?

Segundo Xavier, nenhum gasto deve ser deixado de lado na hora de realizar a composição de preços. “Inclua aluguel, contas de luz, água, internet, o cafezinho, a gasolina. Descubra o valor da sua hora e quanto tempo vai levar para fazer tal serviço. Do contrário, você acaba pagando para trabalhar”, ensina.

Nesse quesito, os valores administrativos ganham destaque. Tudo aquilo que você gasta para colocar os projetos em prática deve entrar na conta. “Despesas administrativas, normalmente, entram no cálculo de custos fixos”, ensina Xavier. Já os valores variáveis são aqueles que acontecem com menos frequência ou de forma imprevista. Sabe quando você tem que consertar um computador ou precisa pagar um profissional extra para ajudá-lo? Esses são exemplos de gastos variáveis.

Os impostos merecem atenção redobrada. Para que a atividade realmente tenha a rentabilidade esperada, os custos com tributos devem ser repassados ao preço final. A melhor forma de chegar ao resultado é conhecer quais são os valores cobrados.

Para pessoas jurídicas, há a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucros Líquidos (CSLL), entre outros. Arquitetos que atuam como pessoas físicas devem pagar tributos como IRPF, INSS e Imposto Sobre Serviços (ISS). O valor de cada alíquota depende do faturamento e, também, do regime de tributação escolhido. Como o sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo, convém ter a ajuda de um contador.

Ao prever o pagamento médio dos valores pode-se, então, definir qual será o impacto no preço composto. O certo é somar despesas e custos fixos e variáveis e, depois, acrescentar as alíquotas de impostos. A partir disso, você tem a base para a formação de preços de serviços.

Qual é a margem de lucro ideal?

Ao considerar os gastos e a incidência de impostos você consegue encontrar aquilo que é necessário para não pagar para trabalhar. A remuneração e a rentabilidade, entretanto, dependem de um elemento crucial: a margem de lucro.

Basicamente, ela consiste em aplicar um percentual que indica os ganhos com cada projeto realizado. Pense que o custo de uma proposta é de R$ 5 mil. Com uma margem de 30%, o valor mínimo a ser repassado deve ser de R$ 6,5 mil, por exemplo.

O número a ser aplicado, entretanto, depende da sua atuação, dos seus objetivos e, também, do mercado. Não existe um montante único a ser inserido, então vale fazer uma análise individual.

Para melhorar ainda mais os resultados, a arquiteta explica que é viável aumentar o rendimento. “Sabendo seus custos e conhecendo o valor trabalhado no setor, é possível cortar gastos e ficar dentro da faixa de mercado. Dessa maneira, consegue-se ampliar a rentabilidade real”, pondera.

Quais são os benefícios de uma precificação correta?

Acertar na formação de preços de serviços é muito benéfico para qualquer profissional da área de arquitetura. Em primeiro lugar, é esse processo que garante uma boa rentabilidade. Os profissionais que cobram adequadamente têm os seus trabalhos valorizados e conquistam um padrão de vida compatível com seus esforços.

Além disso, a precificação correta é essencial para obter destaque no mercado. Quem cobra valores elevados, normalmente, tem uma dificuldade maior para encontrar clientes, salvo exceções. Já os que cobram muito barato nem sempre entregam a qualidade necessária ou mesmo são vistos como opções menos interessantes por quem contrata. Um preço justo e atraente destaca a sua atividade e garante o equilíbrio para consolidar um bom resultado com a atuação.

Em médio e longo prazo, a cobrança de valores adequados aumenta a sua segurança financeira e leva à continuidade no mercado. Trata-se, portanto, de um componente fundamental para chegar ao sucesso.

A formação de preços de serviços passa por várias etapas e tem que considerar todos os custos relacionados à prestação. Com as dicas profissionais, você consegue estabelecer o valor adequado para receber por seu trabalho.

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